SER MULHER
SER MULHER...
Ser mulher é viver mil vezes em apenas uma vida,
Ser mulher é lutar por causas perdidas e sempre sair vencedora,
Ser mulher é estar antes do ontem e depois do amanhã,
Ser mulher é caminhar na dúvida cheia de certezas,
Ser mulher é correr atrás das nuvens num dia de sol e alcançar o sol num dia de chuva.
Ser mulher é chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza,
Ser mulher é cancelar sonhos em prol de terceiros, é acreditar quando ninguém mais acredita,
Ser mulher é esperar quando ninguém mais espera.
Ser mulher é identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa,
Ser mulher é ser enganada e sempre dar mais uma chance
Ser mulher é cair no fundo do poço e emergir sem ajuda.
Ser mulher é estar em mil lugares de uma só vez,
Ser mulher é fazer mil papeis ao mesmo tempo,
Ser mulher é ser forte e fingir que é frágil só para receber um carinho.
Ser mulher é se perder em palavras e depois perceber que se encontrou nelas,
Ser mulher é distribuir emoções que nem sempre são captadas.
Ser mulher é comprar, emprestar, alugar, vender sentimentos, mas jamais dever,
Ser mulher é construir castelos na areia, vê-los desmoronados pelas águas e ainda assim amá-las.
Ser mulher é saber dar o perdão,
Ser mulher é tentar recuperar o irrecuperável,
Ser mulher é entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.
Ser mulher é estender a mão a quem ainda não pediu,
Ser mulher é doar o que ainda não foi solidão.
Desato o laço e faço sem vontade...
Peço ao vento que lave a alma
Deixo o tempo, a tempestade
Soprar a mente, trazer a calma...
Passam os dias, os anos, o mesmo chão
Fica o espaço morto, esse lado torto,
E o dia nasce , mais esse impasse
Por que parece que é tudo em vão?!
Quanto tempo ainda há pra perder?
Se a noite passa, outra noite nasça,
Se tanto faz quando não tem graça
E qual o sentido que não posso ver?
O tempo não faz sentido
Nem é capaz de apagar
O que ficou ou que deixou
A sensação de tempo perdido....
Então as portas se fecharam enfim
E as escadas são bem mais longas
Mas deixo as janelas abertas
Porque o dia pode entrar se for assim...
Deixe estar, ainda há flores
E se um dia o sol resolver brilhar,
Se algum dia o lamento lembrar
Que o que restou deixou seus sabores...
Não vou querer voltar o tempo
Nem vou pedir uma explicação
Vou deixar levar como leva o vento
Lembrar como quem lembra uma canção...
E se no fim tiver sido em vão
Ao menos vou saber que foi assim
Que se a janela estava aberta ou não
Já tanto faz, já não muda nada pra mim...
Quase sem querer eu fiz
Quase sem fazer eu quis
Quase nada por fazer,
...muito ainda por querer...
Porque quase sem saber
Fui perdendo meus limites,
Fui esquecendo de viver
Quase sem inspiração
Quase sempre o coração
Quase pára sem dizer
...muito ainda a conceber...
Porque quase sem querer
Fui aprendendo a conhecer,
Fui vivendo de esquecer
Quase que não chega a hora
Quase nunca ou sempre agora
Quase falta o que escrever
...muito ainda por dizer...
Hoje quero falar da alegria
Não quero falar, quero gritar
Não basta gritar, quero escrever
Quero transformar tudo em poesia...
Hoje eu quero só sorrir
Esse meu sorriso torto
Dormir e me fingir de morto
Pra esquecer a hora de partir...
Hoje eu quero ver quem passa
Quero ir pra rua, abraçar a lua
E deitar no asfalto com a mente nua
Quero mandar sinais de fumaça...
Hoje quero perder a conta
E contar pra todo mundo
Quero correr de ponta a ponta
Do mais rico ao vagabundo...
Hoje vou fingir que é verdade
E escrever o que eu faria
Vou deixar que a curiosidade
Imagine o que eu escreveria....
Qual o motivo dessa tempestade?
Por que será que todo amanhecer
Nasce com cara de final de tarde?!
Por que os sonhos perdem a graça?
Por que a lembrança do perfume
Mistura-se com o cheiro da fumaça?
É que me sinto prisioneiro de mim...
Dos dias vazios e horas eternas
E se todo dia vai ter que ser assim,
Não me importa se é qualquer hora,
Porque as horas são todas iguais,
Porque muita gente já foi embora...
Segunda feira não tem mais plantão,
E vão ficando só as lembranças
Domingo, talvez sim, talvez não...
De repente não sei o que aconteceu,
Se sonhava enquanto acontecia,
Ou se simplesmente amanheceu...
Pra não dizer que não disse adeus....
Eu me demito desse purgatório,
Me despeço deste sanatório,
Digo adeus aos desajeitos seus...
Deixo de vez esse corredor
Não vou mais usar seu consultório
Não quero mais esse ambulatório
Cansei de enganar...não sou ator...
Assassinaram a medicina,
E mesmo que seja contravenção
Participar dessa chacina
pra mim é prostituição...
Vão ficar algumas boas memórias
De outros dias, de alguns amigos
Dos mais recentes, e dos antigos
E de nossas noites de falatórias
Agora já não há nenhum motivo
Caiu a gota que me faltava
Perdi meu último incentivo
agora estou fazendo o que falava...
já gastei minha paciência
Já pedi demais uma solução
Eu não mereço essa penitência
Estou deixando o meu plantão...
Pra não dizer que não disse adeus....
Maria Clara maria cara
Meu porto mais seguro,
Meu castelo de areia
Meu túnel tão escuro,
Minha lua cheia...
Meu anjo gótico, desconceito
Meu estado caótico, amor perfeito...
Meu doce lampejo, meu vinhedo
Meu eterno desejo,
Meu doce azedo...
Meus dias perdidos, olhos abertos
Meus desejos sentidos, incertos...
Meu momento de alegria, meu vício
Meu instante de covardia, sacrifício...
A vida é algo assim...
Com suas portas e escadarias
Um misto de perdas e danos,
Um mosaico de pequenas alegrias...
E assim procuramos a felicidade...
Em casa, no trabalho, conjugal...
Ou estampada em preto e branco
Numa lista de jornal...
Não me leve a mal,
Pode até ser heresia
Felicidade não se acha em edital,
Essa coisa se constrói dia após dia...
A vida é cheia de pequenas alegrias
E elas são as chaves para as portas
No final de cada escadaria...
Mas alguns são incapazes de enxergar
A beleza nos detalhes, nos entalhes
E deixam passar alguns momentos
Que um dia vão voltar na nostalgia...
E algo assim é a vida...
Repleta de altos e baixos
De amores e saudades
E de escolhas...
Talvez essas sejam as peças principais
Desse quebra-cabeça sem sentido
Dessa loucura de sempre querer mais e mais...
Da frustração de nem sempre ter conseguido...
Mas a vida vem em fases como a lua
Que nem sempre está cheia
A vida é complicada como alguma rua
Com suas curvas, seus buracos e esquinas feias...
Mas se o caminho fosse sempre belo e prazeroso
Não haveria porque querer chegar ao seu destino...
Pode ser que me condenem sem nenhuma acusação
Pode ser que me absolvam, e perdoem o que não fiz
Pode ser que nem me vejam, que não haja votação
Pode ser que esse júri ainda seja um aprendiz
Vão julgar os meus poemas, minha imaginação
Vão querer me expor, me elogiar e criticar
Vão dizer de que lado meus poemas vão ficar
Vão me jogar no lixo ou me eleger um campeão...
Não pense que sou assim
Eu também sou gente
O que se passa aí é igual em mim
Não é só você que sente...
Não estou a inteira disposição
Pra sustentar sua vaidade
Também tenho sangue na veia
E o que corre aqui é de verdade...
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